"No hay porvenir sin Marx. Sin la memoria y sin la herencia de Marx: en todo caso de un cierto Marx: de su genio, de al menos uno de sus espíritus. Pues ésta será nuestra hipótesis o más bien nuestra toma de partido: hay más de uno, debe haber más de uno." — Jacques Derrida

29/1/14

O que vive e o que está morto na teoría marxista da história

Karl Marx ✆ Ingrid Bouws
Vivek Chibber |  Aproximadamente na última década, o debate sobre a teoria marxista da história parece ter perdido força. Isto não é algo inteiramente surpreendente, considerando a enorme energia investida nessa questão durante cerca de um Quarto de século – nenhum debate pode durar eternamente. Ao mesmo tempo, calmarías como essa podem ser interpretadas como uma oportunidade para um escrutínio, por assim dizer.1 Isto é particularmente verdadeiro no que concerne ao debate sobre o materialismo histórico, já que essa é uma área na qual seus protagonistas seguiram meticulosamente o fio da meada de seus argumentos e se esforçaram para manter clareza. Na realidade, é possível mapear a extensão em que determinadas proposições sobreviveram ao escrutínio, bem como argumentos opostos se mantiveram firmes. Grande parte do crédito por ter instilado essa cultura nos debates marxistas é de G. A. Cohen, cujo livro Karl Marx’s Theory of History: a Defence quase que por si só elevou a qualidade dos argumentos sobre o tema.2 De fato, a recente publicação de uma nova edição desse livro é um momento oportuno para indagar sobre o lugar da teoria hoje.3

O livro de Cohen não é notável apenas pela clareza e pela força do seu argumento. Ele também tem o mérito de ressuscitar uma
versão do materialismo histórico que, no final da década de 1970, caiu em descrédito. Naturalmente, estamos nos referindo à versão ortodoxa da teoria – tal qual elaborada por Engels em Anti-Dühring e popularizada, sobretudo, por Plekhanov na virada do século – que designa as forças produtivas humanas como o motor da história. Durante mais da metade do século XX, o materialismo histórico ortodoxo foi considerado uma interpretação natural das alegações um tanto vagas de Marx para sustentar uma teoria definitiva do desenvolvimento histórico. Ele se tornou senso comum tanto para marxismo oficial quanto para o dissidente. Foi apenas na década de 1960 – em parte devido à influência do maoismo, em parte em virtude da celebração aos recentes movimentos anticolonialistas – que essa teoria passou a ser criticada, não apenas pelo mainstream, mas também pela nova esquerda. O materialismo histórico determinista-tecnológico foi então contraposto a uma versão que elevava a luta de classes a uma posição de primazia. Os teóricos que ganharam popularidade entre a nova esquerda – Althusser, Gramsci, Habermas, dentre outros – subestimaram sistematicamente a importância das forças produtivas, ao passo que elevaram a importância dos conceitos de classe e de luta de classes no cerne do materialismo histórico. Portanto, quando Karl Marx’s Theory of History foi lançado, a versão do materialismo histórico anunciada no livro havia decididamente caído em descrédito junto a esse público.

O efeito imediato do trabalho de Cohen foi um novo sopro de vida ao materialismo histórico ortodoxo – uma conquista, em si mesma, impressionante. Mas a clareza com a qual Cohen apresentou seu argumento também teve o efeito, como era de se esperar, de revelar as falhas da sua da teoria. Examinaremos tais falhas em breve, com certo detalhe. Por ora, o ponto a ser observado é que, dada a evidencia dessas falhas, o materialismo histórico ortodoxo não recuperou seu status como a interpretação natural da teoria marxista da história. Muito pelo contrário: a versão da luta de classes do materialismo histórico recebeu seu próprio impulso, primeiramente através do trabalho do historiador Robert Brenner. No início, o questionamento de Brenner foi indireto. Em uma série de artigos muito influentes, Brenner desenvolveu um relato da transição europeia do feudalismo ao capitalismo que dependeu muito pouco do mecanismo explicativo central ao materialismo histórico ortodoxo.4 Não foi a exigência do desenvolvimento das forças produtivas que direcionou a transição, mas sim o resultado contingente do conflito entre senhores e camponeses. Logo a seguir, Brenner emite em dois trabalhos um desafio direto, tanto a Cohen quanto ao determinismo tecnológico, sustentando não apenas que a teoria era inválida, senão que ela poderia não ser nem mesmo aquela que Marx subscrevera nos seus últimos anos.5 Concomitantemente aos questionamentos de Brenner, surge uma série de críticas ao trabalho de Cohen, o que minou ainda mais a confiança na versão tecnológico-determinista do materialismo histórico por ele desenvolvida.6 Assim, no final da década de 1980, os debates sobre a teoria da história começam a se aglutinar em torno de dois polos – o materialismo histórico ortodoxo e a versão da luta de classes – cada qual reivindicando algum grau de fidelidade aos esparsos comentários de Marx sobre o assunto, e assentando-se, cada um deles, em argumentos cuidadosamente elaborados.

Neste ensaio, proponho um balanço das mais recentes tentativas de superar o impasse dentre as diferentes versões do materialismo histórico. As tentativas em questão são as de Alan Carling e as de Erik Wright, Andrew Levine e Elliott Sober.7 O que faz com que os trabalhos desses autores sejam interessantes é o fato de reconhecerem em Brenner e em Cohen dois modelos opostos de materialismo histórico e desenvolverem – explicitamente (Carling) ou implicitamente (Wright, Levine e Sober) – argumentos presentes no debate Cohen-Brener. Esses trabalhos reconhecem os desafios colocados por Brenner à versão ortodoxa do materialismo histórico e se empenham em modificá-la no sentido de torná-la imune às críticas consideradas. No caso de Carling, isto é realizado através da apresentação do que ele alega ser uma fusão dos dois modelos, uma reconciliação genuína; no caso de Wright, Levine e Sober, o que é oferecido não é tanto uma fusão, mas uma versão mais fraca do materialismo histórico de Cohen, mais modesta em suas reivindicações e, segundo nosso entendimento, capaz de acomodar as críticas feitas à versão de Cohen. Argumentarei que, enquanto as duas tentativas de resgate obtêm algum sucesso, no final elas vacilam em uma das seguintes formas: ou simplesmente falham em convencer, ou enfraquecem de tal modo as alegações da teoria, que esta acaba perdendo o seu sabor caracteristicamente marxista. Esse segundo caso equivale a um veredito favorável a uma versão alternativa do materialismo histórico, baseada na luta de classes ou nas relações de propriedade.

Notas da Introdução

* Professor da New York University (vivek.chibber@nyu.edu). Texto original: What Is Living and What Is Dead in the Marxist Theory of History, Historical Materialism, Leiden, Brill, n.9, v.2, 2011, p.60-91. Tradução de Leonardo Schiocchet (PPGA/UFF); revisão da tradução de Angela Lazagna.
1 Gostaria de agradecer a Charles Post, Erik Wright e Robert Brenner por seus extensos comentários
a versões anteriores deste artigo, bem como ao comitê de Historical Materialism. Agradecimentos
especiais a Sebastian Budgen, por me persuadir a tirar este artigo da gaveta para a sua publicação.
Para um bom resumo do debate desde os anos de 1990, ver Callinicos (2004).
2 Cf. Cohen (1978).
3 Cf. Cohen (2002).
4 Estes estão contidos em Ashton; Philpin (1985).
5 Para o primeiro escrito, ver Brenner (1986). Para o segundo, Brenner (1989).
6 Ver, inter alia, Wright; Levine (1980); Katz (1989); Rigby (1987); Martin (1983).
7 Os trabalhos relevantes são: Carling (1991); Carling (1993); Wright; Levine; Sober (1993).
 


http://www.ifch.unicamp.br/

Notas sobre Marx, Engels y el marxismo

José Manuel Bermudo Ávila: Concepto de Praxis en el joven Marx Scribb
Josefina L. Martínez: Feminismo & Socialismo marxista - Eleanor Marx, la cuestión de la mujer y el socialismo Rebelión
Il “Capitale” di Marx, ricerca storica a 150 anni dalla pubblicazione del Volume I — Bergamo News
Entretien avec Michael Heinrich: Débat. “Le Capital”: un travail colossal “pour percer un système complet de fausses perceptions” — A l’encontre
Entrevista a Michael Heinrich: El Capital: una obra colosal “para desenmascarar un sistema completo de falsas percepciones” — Viento Sur
Robin Clapp: El Capital de Marx cumple 150 años: un análisis y una crítica inigualables del capitalismo, relevante todavía hoy — Werken Rojo
A 150 años de la primera edición de "El Capital": Una obra que trascendió a su época — La Arena
La dialéctica de lo abstracto y lo concreto en "El Capital" de Marx de Evald Vasiliévich Iliénkov — Templando el Acero
Francesc Torralba: "Todo lo sólido se desvanece en el aire" - ¿Y si Marx tuviera razón? — Vida Nueva
Michel Husson: Marx, Piketty et Aghion sur la productivité — A l’encontre
El “Dragón Rojo”, en Manchester: Cierran el histórico pub donde Marx y Engels charlaban "entre copa y copa" — BigNews Tonight
El capitalismo se come al bar donde Marx y Engels debatían sobre comunismo — El Español
Carta de Karl Marx al rabino Baruch Levi — Metapedia (Publicada en la "Revue de Paris" el 01-06-1928)
Tony Blair confiesa haber "tanteado el marxismo" — Sputnik
“Karl Marx le Retour” de Howard Zinn — Le Repúblicain Lorrain
Engels y la independencia política de los trabajadores — Marxist Internet Archive
Ante el fallecimiento de Friedrich Engels — OM Radio
Conmemoramos la vida del camarada Engels — Abayarde Rojo.
Hassan Pérez Casabona: Federico Engels, titán de las ideas — Trabajadores
Cinco aportes de Engels a 122 años de su muerte — Zócalo
Shameel Thahir Silva: Pensando en el nuevo partido de las FARC-EP y su marxismo-leninismo — Rebelión
Vingtras: "Les ingénieurs de l'avenir lumineux" — Mediapart
Carlos Oliva Mendoza: Adolfo Sánchez Vázquez: ¿marxismo radical o crítica romántica? — InfoLibre
Francisco Cabrillo: Cómo Marx cambió el curso de la historia — Expansión
Bernardo Coronel: ¿El marxismo es una ciencia? — La Haine
Sylvain Rakotoarison: Le capitalisme selon Karl Marx — Agora Vox
"Das Kapital", une oeuvre décisive de déconstruction du système de production, d'échange et d'exploitation capitaliste — Le Chiffon Rouge
Ismaël Dupont: Marx et Engels: les vies extravagantes et chagrines des deux théoriciens du communisme! — Le Chiffon Rouge Morlai
Mónica Zas Marcos: Rosa Luxemburgo, el águila de la izquierda que callaron con una bala — El Diario
Karl Marx & Friedrich Engels: Cartas sobre las ciencias de la naturaleza y las matemáticas — Scribb
La tarjeta de crédito de Karl Marx — Perspectivas
Mordraal: Quelques idées reçues sur Marx — Mediapart
Karl Marx et notre Etat profond français de souche — DeDefensa
Marx, el Estado y la política. Un libro de Antoine Artous — Scribb
Mehdi Touassi: Relire Marx en 2017 — LuxeRadio
Omar Carreón Abud: El Capital fue una obra pensada para enseñar a razonar científicamente a la clase obrera — Crónica de Chihuahua
Un asilo recrea época comunista en Alemania como terapia para los ancianos — Nación 321
Angelo Deiana: Chi possiede veramente oggi i mezzi della produzione? Una rilettura di Marx per comprendere il futuro — Formiche
Karl Marx et le prince-président Macron — DeDefensa
Entre Marx y dos economistas, ¿una práctica criminal o la justificación de un mundo violento? La Conversación
A los 100 años de su nacimiento, la obra de Eric Hobsbawm sigue siendo referente — La Vanguardia
Eric Hobsbawm: El último marxista de occidente — Milenio
Eric Hobsbawm, el historiador marxista que explicó el siglo XX — Diario de Sevilla
Romain Chiron: Bobigny: La cité Karl Marx se réinvente en quartier résidentiel — Le Parisien
Maciek Wisniewski: Tres despachos sobre György Lukács – La Haine
Quand Youssef Chahed cite Karl Marx (Video) – Huffington Post
Michael Heinrich - Entretien réalisé et traduit par Jérôme Skalski: «Avec Marx, on ne peut pas séparer la vie et l’œuvre» - L’Humanité
Jérôme Skalski: Lire "Le Capital", un appel au possible du XXIe siècle - L’Humanité
Face aux impostures libérales, Marx, penseur capital - L’Humanité
Karl Marx en el diván: la psiquiatría franquista como arma — El País
Andrea Vitale: Lo spettro di Marx — Operai Contro
Daniel Álvaro: El problema de la comunidad. Marx, Tònnies, Weber (PDF) — Dialnet, Universidad de La Rioja
Marx y la Teoría del Derecho — Scribd
El marxismo y los juegos malabares — Diario de Jerez
Jorge Ortega Reyna & Víctor Hugo Pacheco Chávez: John Berger: Un marxismo para el mañana — Memoria
Roberto Fineschi: El Capital tras la edición histórico-crítica — Viento Sur
Daniela Gros: Il giovane Karl Marx — Moked
Saoudi Abdelaziz: 1882. Karl Marx se fait couper la barbe à Alger — Le blog de algerie-infos
Jaime Osorio: La teoría marxista de la dependencia revisitada — Viento Sur
Andrés Arnone: Naturaleza y economía en Marx y Engels: de procesos naturales y construcciones sociales — La Izquierda Diario
Gustau Nerín: El 'Manifiesto comunista' de Marx y Engels, vuelve — El Nacional
Luigi Mascheroni: Che borghese quel Karl Marx. Parola di Morselli — Il Giornale
Eros Barone: Il segreto del potere capitalistico — Varese News
Luis Escalante: El hondureño que le escribió a Karl Marx — Hablemos de Honduras
José Roberto Herrera Zúñiga: El terrorismo individual: un análisis desde el marxismo clásico — Universidad de Costa Rica