"No hay porvenir sin Marx. Sin la memoria y sin la herencia de Marx: en todo caso de un cierto Marx: de su genio, de al menos uno de sus espíritus. Pues ésta será nuestra hipótesis o más bien nuestra toma de partido: hay más de uno, debe haber más de uno." — Jacques Derrida

9/12/14

Da MEGA à MEGA2 | Breve história da edição crítica das obras de Karl Marx

Hugo E. A. da Gama Cerqueira   |   Este artigo discute os diferentes esforços para empreender uma edição completa e histórico-crítica das obras de Karl Marx, a Marx-Engels Gesamtausgabe (MEGA): a primeira, liderada por David Riazanov nos anos 1920-30 e, a segunda, o projeto da MEGA2, iniciado nos anos 1970 e ainda em curso. O artigo apresenta essas duas edições e discute seus impactos sobre a interpretação do pensamento econômico e filosófico de Marx.

Introdução

No último século e meio, a obra de Karl Marx foi lida por pesquisadores e estudiosos das mais diferentes disciplinas e em toda parte do mundo. É difícil lembrar de algum outro pensador que tenha sido tão influente nesse período. Grande parte dos conceitos que empregamos para pensar o mundo contemporâneo deriva direta ou indiretamente de seus trabalhos. Suas ideias incidiram sobre todo o espectro das ciências sociais e, até recentemente, o marxismo, doutrina inspirada em sua obra, era reivindicado por governos que dirigiam um terço da humanidade (Hobsbawn,2011: 311).
Se Marx foi amplamente lido, é preciso notar, por outro lado, que a recepção de sua obra comporta numerosos problemas, distorções e, até mesmo, paradoxos (Thomas, 1991). Em primeiro lugar, o fato de que suas ideias tenham invadido os currículos de várias disciplinas acadêmicas não deve nos fazer esquecer a relativa marginalização de sua influência justamente naqueles campos em que ele teria mais a nos ensinar, a começar pela economia, mas também a filosofia e a política. Em segundo lugar, nos países em que o nome de Marx foi venerado e o marxismo se constituiu em ideologia oficial, a leitura de suas obras ficou restrita a um punhado de estudiosos ligados a instituições pouco conhecidas. Fora delas, o que prevaleceu foi o ensino de alguma versão simplificada e monolítica das ideias de Marx, construída de modo a proporcionar justificativas para as práticas políticas dos regimes vigentes. Finalmente, seguidores e adversários de Marx estabeleceram uma continuidade direta e estri ta entre suas ideias e aquelas que povoaram o marxismo em suas diferentes versões. Desse modo, as diferenças que poderiam existir –e, certamente, existem– entre os conceitos marxianos e as ideias marxistas foram deixadas em segundo plano e terminaram apagadas.

Com efeito, se tomarmos por marxianos os juízos e conceitos que podemos atribuir com segurança ao próprio Marx e por marxistas as ideias que são consideradas pela maioria como estando de acordo com o seu legado intelectual, então é fácil ver que nem tudo que passa por marxista é marxiano: as teorias do imperialismo, por exemplo, pertencem muito mais a Lenin, Hilferding ou Bukharin que ao próprio Marx. Por outro lado – e mesmo que isso soe mais estranho ou até paradoxal–, não é menos verdade que nem tudo que é marxiano pode ser considerado marxista, quando mais não fosse, pela simples razão de que o marxismo se desenvolveu numa época em que o conhecimento dos escritos de Marx era repleto de lacunas e, por isso mesmo, parcial e inadequado (Thomas, 1991: 25-26).

Foi assim, por exemplo, que a doutrina do “materialismo histórico” – expressão jamais empregada por Marx – foi formulada nas últimas décadas do século XIX e nas primeiras do século XX por autores como Plekhanov, Mehring e Kautsky, muito antes que o manuscrito de A Ideologia Alemã fosse publicado. Essa doutrina, por sua vez, influenciou decisivamente a maneira como o manuscrito de Marx e Engels foi lido e interpretado: como um texto no qual se encontraria, pela primeira vez, uma versão mais ou menos acabada do assim chamado “materialismo histórico”.

Na mesma direção, o descompasso entre o marxismo e algumas ideias de Marx permite compreender a tensão provocada pela publicação de obras como os Manuscritos Econômico- Filosóficos e os Grundrisse der Kritik der politischen Ökonomie. Ao virem à luz, esses textos desafiaram as interpretações convencionais sobre a crítica da economia política e deram origem a longas controvérsias em que, muitas vezes, foram reduzidos à condição de obras da juventude, anteriores à maturidade e incompatíveis com o sentido já estabelecido da elaboração teórica de Marx que, por sua vez, não se admitia que fosse posto em questão.

Por essa razão – pelo fato de que o marxismo se constituiu antes mesmo que a maioria dos textos de Marx fosse conhecida – a compreensão da recepção da obra de Marx requer que um entendimento seguro do movimento de edição e publicação de cada um de seus textos. Por sua vez, o conhecimento desses dois processos – da maneira como as obras de Marx vieram a público e do modo como foram lidas – pode remover obstáculos e sugerir caminhos para uma releitura desses textos em nova chave e para uma reinterpretação do pensamento de Marx, agora livre das funções ideológicas que pesaram sobre ele no passado.

É o que procuramos mostrar no artigo que vai ser lido. Ele está organizado em três partes, além dessa introdução e de uma breve conclusão. A primeira seção discute as tentativas iniciais de edição das obras de Marx e Engels até o final abrupto da primeira Marx-Engels-Gesamtausgabe (MEGA). A segunda aborda brevemente a edição da Marx Engels Werke e apresenta o projeto da nova MEGA2. A terceira seção analisa algumas repercussões da MEGA2 para a interpretação de textos consagrados de Marx.


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Notas sobre Marx, Engels y el marxismo

Mónica Zas Marcos: Rosa Luxemburgo, el águila de la izquierda que callaron con una bala — El Diario
Karl Marx & Friedrich Engels: Cartas sobre las ciencias de la naturaleza y las matemáticas — Scribb (*)
La tarjeta de crédito de Karl Marx — Perspectivas
Mordraal: Quelques idées reçues sur Marx — Mediapart
Karl Marx et notre Etat profond français de souche — DeDefensa
Marx, el Estado y la política. Un libro de Antoine Artous — Scribb
Mehdi Touassi: Relire Marx en 2017 — LuxeRadio
Omar Carreón Abud: El Capital fue una obra pensada para enseñar a razonar científicamente a la clase obrera — Crónica de Chihuahua
Un asilo recrea época comunista en Alemania como terapia para los ancianos — Nación 321
Angelo Deiana: Chi possiede veramente oggi i mezzi della produzione? Una rilettura di Marx per comprendere il futuro — Formiche
Karl Marx et le prince-président Macron — DeDefensa
Entre Marx y dos economistas, ¿una práctica criminal o la justificación de un mundo violento? La Conversación
A los 100 años de su nacimiento, la obra de Eric Hobsbawm sigue siendo referente — La Vanguardia
Eric Hobsbawm: El último marxista de occidente — Milenio
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Romain Chiron: Bobigny: La cité Karl Marx se réinvente en quartier résidentiel — Le Parisien
Maciek Wisniewski: Tres despachos sobre György Lukács – La Haine
Quand Youssef Chahed cite Karl Marx (Video) – Huffington Post
Michael Heinrich - Entretien réalisé et traduit par Jérôme Skalski: «Avec Marx, on ne peut pas séparer la vie et l’œuvre» - L’Humanité
Jérôme Skalski: Lire "Le Capital", un appel au possible du XXIe siècle - L’Humanité
Face aux impostures libérales, Marx, penseur capital - L’Humanité
Karl Marx en el diván: la psiquiatría franquista como arma — El País
Andrea Vitale: Lo spettro di Marx — Operai Contro
Daniel Álvaro: El problema de la comunidad. Marx, Tònnies, Weber (PDF) — Dialnet, Universidad de La Rioja (*)
Marx y la Teoría del Derecho — Scribd
El marxismo y los juegos malabares — Diario de Jerez
Jorge Ortega Reyna & Víctor Hugo Pacheco Chávez: John Berger: Un marxismo para el mañana — Memoria
Roberto Fineschi: El Capital tras la edición histórico-crítica — Viento Sur
Jérôme Skalski entrevista a Michael Heinrich: El Capital: una obra colosal “para desenmascarar un sistema completo de falsas percepciones” — Viento Sur
Daniela Gros: Il giovane Karl Marx — Moked
Saoudi Abdelaziz: 1882. Karl Marx se fait couper la barbe à Alger — Le blog de algerie-infos
Jaime Osorio: La teoría marxista de la dependencia revisitada — Viento Sur
Andrés Arnone: Naturaleza y economía en Marx y Engels: de procesos naturales y construcciones sociales — La Izquierda Diario
Gustau Nerín: El 'Manifiesto comunista' de Marx y Engels, vuelve — El Nacional
Luigi Mascheroni: Che borghese quel Karl Marx. Parola di Morselli — Il Giornale
Eros Barone: Il segreto del potere capitalistico — Varese News
Luis Escalante: El hondureño que le escribió a Karl Marx — Hablemos de Honduras
José Roberto Herrera Zúñiga: El terrorismo individual: un análisis desde el marxismo clásico — Universidad de Costa Rica
Albert Sáez: Salarios y beneficios — El Periódico
Tres marxistas negros, las sociedades de color y el marxismo en Cuba (1940-1961) — Rebelión
Juan J. Paz y Miño cuenta algo insólito en Ecuador: Marxismo probancario — El Telégrafo
André Tosel: Marxismos, neo-marxismos y post-marxismos — Viento Sur
Mathieu Ait Lachkar: Jeunes en campagne : Amin, de Karl Marx à Jean-Luc Mélenchon — Ouest-France
Anne Dolhein: La Chine offre une statue de Karl Marx à la ville de Trèves en Allemagne — Reinformation
Karl Marx y Friedrich Engels, los padres del socialismo científico — Guerrero Liberación
Rodolfo Salazar González: Resurgimiento de Karl Marx — Buenos Días Tamaulipas
Marcelo Pereira: El Manifiesto del Partido Comunista es Un gran relato — La Diaria
Les jeunes années de Karl Marx au cinéma — Arte TV
José Pablo Noriega de Lomas, Universidad de Oviedo: Marx y Engels: Dos sistemas materialistas diferentes (PDF) — Universidad de La Rioja (*)
Carlos Prieto: Un icono pop llamado Karl Marx — El Confidencial
Benjamin Edgard: Notre ennemi le Capital — Le Comptoir
Jonathan Martineau y el feminismo marxista a escala internacional: 1) Intersección, articulación: el álgebra feminista — Marxismo Crítico / 2) Intersection, articulation : l’algèbre féministe — Période
Rodolfo Salazar González: Karl Marx, un filósofo legendario — Noticias de Tampico
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Gauthier Ambrus: Trump, Marx et la mondialisation. Quand l’auteur du «Capital» renvoie Chine, Europe et Amérique dos-à-dos — Le Temps
Gabriel Vargas Lozano & Raúl Páramo Ortega: Marx y Freud: Hacia una Nueva Racionalidad de la Sociedad y de la Historia. Presentación editorial del libro — México es Cultura
Iris de la Cruz Saborit & Liz Armas Pedraza: Pensamiento Crítico: una revista de todos los tiempos, exponente del marxismo en Cuba a fines de los 60 — Cuba Ahora
Andrei Martínez Finkelshtein: ¿Es cierto que Karl Marx se dedicaba a las matemáticas en su tiempo libre? — Quora
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(*) Acceso indirecto